Faculdade Rudolf Steiner

Sobre a Jataí

A Revista Jataí é uma publicação eletrônica anual da Faculdade Rudolf Steiner e aceita artigos, resenhas, entrevistas, relatos de experiência pedagógica, estudos de caso, traduções, que sintonizem reflexões relevantes na área das Ciências Humanas, em perspectiva interdisciplinar, e dialoguem, em algum nível, com as propostas de Rudolf Steiner. Os textos podem atender ao dossiê temático, ou serem submetidos em fluxo contínuo. Este periódico aceita submissões em português, inglês e espanhol, com a finalidade de divulgar as investigações originadas em outros países e também de colaborar para a internacionalização da produção acadêmica brasileira. Os textos devem ser produzidos por doutores, doutorandos, mestres, mestrandos, pós-graduandos e graduados (desde que o primeiro autor seja doutor ou mestre).

Em sua terceira edição, a Revista Jataí propõe como dossiê temático: Na dança de roda da natureza: múltiplos olhares para o homem em seu meio, com o intuito de reunir e ampliar reflexões interdisciplinares sobre a complexa relação entre o ser humano e seu contexto natural e cultural de vida.

Natureza! Somos envolvidos e enlaçados por ela, incapazes de escapar dela ou de penetrar mais profundamente nela. Sem pedir licença e sem avisar, ela nos recebe na roda de sua dança e nos arrasta consigo, até ficarmos extenuados e cairmos dos seus braços. (Goethe)[1]

Natur! Wir sind von ihr umgeben und umschlungen – unvermögend, aus ihr herauszutreten, und unvermögend, tiefer in sie hineinzukommen. Ungebeten und ungewarnt nimmt sie uns in den Kreislauf ihres Tanzes auf und treibt sich mit uns fort, bis wir ermüdet sind und ihrem Arme entfallen. (Goethe)[2]

Desde o último milênio, muito se tem discutido sobre os efeitos da cisão humano – natureza. Catástrofes ambientais, como buraco na camada de ozônio, efeito estufa, aquecimento global, derretimento das calotas polares, enchentes, tsunamis, terremotos, extinção de espécies animais, além de crises de recursos naturais, intervenções humanas nefastas são alguns dos fatos que alertam para os transtornos que a comunidade mundial vem atravessando. Vários encontros em âmbito nacional e internacional têm se mostrado porta-vozes dessa emergência que coloca em foco a espécie humana, considerando que a ação do ser humano sobre o ambiente incide nele mesmo, posto ser um integrante e não um mero interventor. Edgar Morin (2003)[3] assinala a unidade complexa da natureza humana e aponta para a necessidade de uma educação que se volte para a identidade terrena, a cidadania planetária, apostando vigorosamente na possibilidade de construção de uma antropo-ética. Igualmente, o documento Repensar a educação: rumo a um bem comum mundial?, publicado em 2016 pela UNESCO,  destaca a emergência em “apoiar e potencializar a dignidade, a capacidade e o bem-estar do ser humano, em relação aos outros e à natureza”, como propósito fundamental da educação no século XXI, reconhecendo essa aspiração  como humanismo  e convocando educadores para proporcionar “a aprendizagem com vistas ao desenvolvimento sustentável de todos”[4]. Em consonância com Edgar Morin, o documento reitera: “os valores humanistas que devem ser o alicerce e o propósito da educação incluem: respeito pela vida e dignidade humanas, igualdade de direitos e justiça social, diversidade social e cultural e um sentimento de solidariedade humana e responsabilidade compartilhada por nosso futuro comum”[5]. Rudolf Steiner, já no início do século XX, convidava-nos ao entendimento de que a contemplação da natureza praticada por Goethe constitui uma cosmovisão na qual o humano, por meio da produção científica, pode inventar novos horizontes para o conhecimento de si mesmo e de sua atuação na vida pública. Goethe tem seu nome registrado no grande livro da cultura ocidental, pois sua obra literária inaugurou movimentos estéticos, instalou abordagens, desestabilizou padrões. A segunda metade do século XVIII e a primeira do XIX viu despontar, ao lado de Goethe, boa parte dos fundamentos filosóficos que até hoje referenciam nossas perspectivas científicas, éticas e políticas. Localizado no ponto culminante da criação divina, o humano de Goethe, quando se dedica a ativamente observar a infinita variabilidade própria da natureza, é capaz de estabelecer suas leis. Trata-se de olhar o mundo com os olhos do espírito. Desse modo, ativando sua capacidade ideativa, acionando sua criatividade e assumindo sua condição de ser eterno, o humano, ao interagir delicadamente com o cosmos, pode acionar em si a potência do livre pensar e do agir responsável. Contemplar a natureza com os olhos de Goethe, enfim, para além de descrevê-la, explicá-la ou classificá-la permite a realização de seu devir, qual seja, ensinar ao humano as infinitas possibilidades de ele vir a ser o que é: o ponto culminante da criação e, por conseguinte, o ponto inicial da transformação do mundo e de si mesmo. Essas múltiplas formas de compreensão das relações entre humano-natureza convocam-nos a repensar a educação deste milênio e a questionar seus reiterados princípios utilitários, ao mesmo tempo em que nos convidam a valorizar as dimensões sociais, éticas, econômicas, culturais, cívicas e espirituais do ser humano. Que caminhos se abrem às Ciências Humanas para a discussão dessa problemática? Que providências podem se tornar fecundas, considerando a urgência de um conhecimento transversal? Como a educação pode responder a esses desafios que se interpõem no campo da sustentabilidade econômica, social e ambiental? Que políticas e práticas educacionais podem sustentar esse propósito? Que tensões, contradições e oportunidades despontariam nesses tempos de preocupações pandêmicas?

Submissão de trabalhos

Prazo para submissão: 20 de julho de 2021.
Envie para: jatai@frs.edu.br

Edição 1

Acesse aqui: Edição 1
Outubro de 2019
Coordenação editorial: Melanie Guerra e Patricia Raffaini
Publicação: Faculdade Rudolf Steiner, São Paulo/SP

Edição 2

Acesse aqui: Edição 2
Dezembro 2020
Coordenação Editorial: Marcelo Rito, Maria Auxiliadora F. Baseio, Maria do Carmo L. Abi-Sâmara e Melanie Gesa Mangels Guerra
Publicação: Faculdade Rudolf Steiner, São Paulo/SP.
Obs.: Pode haver pequenas variações de formatação (itálico / negrito) devido à versão do Windows.

Diretrizes para autores

1. Artigo

O texto deverá iniciar com título e, na linha abaixo, nome completo do/a autor/a ou autores. Em rodapé, sinalizado com asterisco (*), faz-se breve descrição do currículo (no máximo três linhas), com formação, filiação institucional e e-mail.

O texto deve ser salvo no formato Word, digitado em espaço 1,5, em fonte Times New Roman, corpo 12, margens de 2,5 cm. As citações com mais de três linhas devem vir sempre em novo parágrafo, em corpo 10, sem aspas e com recuo de 4 cm.

O artigo deverá ter extensão mínima de 12 páginas e máxima de 20 páginas, formatado para folha A4. Deve vir acompanhado de uma folha de rosto, na qual, obrigatoriamente, deve constar resumo e abstract (entre 200 e 250 palavras) e explicitar, em parágrafo único, com entrelinha simples, tema geral e problema da pesquisa; objetivos metodologia utilizada; principais resultados e conclusões. Abaixo do resumo e do Abstract, devem constar palavras-chave (entre 3 e 5) em português e keywords em inglês.

Alguns itens a serem observados na digitação dos textos: aspas duplas somente para citações diretas (com menos de 3 linhas) no corpo de texto; itálico para palavras com emprego não convencional e para palavras estrangeiras, neologismos e títulos de obras e publicações.

Notas de pé de página (rodapé) devem ser sempre explicativas e restritas ao mínimo indispensável, numeradas sequencialmente e alocadas ao final da página correspondente. Fonte Times New Roman 10 (padrão), alinhamento justificado, com espaço simples.

As citações no corpo do texto devem obedecer à forma autor-data (SOBRENOME DO AUTOR, ano) ou (SOBRENOME DO AUTOR, ano, p. xx). Ex.: (BACHELARD, 2009, p. 36).

As referências bibliográficas completas devem vir ao final do texto, com espaçamento entrelinhas simples, e precedidas do subtítulo Referências, devendo conter exclusivamente os autores e os textos citados no trabalho e ser apresentadas em ordem alfabética, obedecendo às normas da ABNT.

Seguem alguns exemplos:

Livros:
BENJAMIN, Walter. Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Ed. 34, 2009.

Capítulos de livros:
STEINER, Rudolf. Cognição e Realidade. In: A Filosofia da Liberdade. 4.ed. São Paulo: Antroposófica, 2008. p. 61-76.

Livro inteiro com dois organizadores:
BRAGANÇA, Aníbal; ABREU, Márcia (Orgs.). Impresso no Brasil: dois séculos de livros brasileiros. São Paulo: Editora UNESP, 2010.

Periódicos:
BACH JUNIOR, Jonas. O trabalho biográfico como fonte de aprendizado: autoeducação e fenomenologia de Goethe. Educar em Revista, v.35, n. 74. p. 233-250, 2019.

Teses e dissertações:
PETRAGLIA, M. S. O fazer musical como caminho de conhecimento de si e conhecimento do outro no contexto empresarial. 2015. 315 p. Tese (Doutorado em Psicologia Social) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.

Documento eletrônico:
FERREIRA-SANTOS, Marcos (2014). Outros tempos e espaços de saber compartilhado: coisas ancestrais de creança. In: Processos Artísticos, tempos e espaços. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura. Disponível em:< https://territoriodobrincar.com.br/wp-content/uploads/2015/06/outros_tempos_espacos_marcosfe.pdf >. Acesso em: 20 ago 2020.

Imagens e ilustrações
FIGURAS, TABELAS Ou GRÁFICOS devem ser numeradas em arábico. No texto, aparecem designadas pela abreviatura (Fig. 1; Tab. 1; Graf. 1), legenda em fonte Times New Roman, 10; espaçamento simples.

2. Resenha

A resenha de livro não possui título específico e sua apresentação se dá pelo título do livro resenhado (*referência completa no rodapé), alinhado à esquerda, em caixa alta, fonte Times New Roman, 12, negrito, seguido pela expressão: Resenha por (nome do autor). Em rodapé, sinalizado com asterisco (*), faz-se breve descrição do currículo do autor resenhista (no máximo três linhas), com formação, filiação institucional e e-mail. Uma linha abaixo do nome do autor resenhista deve constar o texto da resenha e seguir as mesmas diretrizes para a apresentação de artigos.

3. Entrevista

A entrevista acadêmica deve ser minuciosamente reproduzida sob as formas e normas técnicas e metodológicas indicadas no endereço: http://www.oneesp.ufscar.br/texto_orientacao_transcricao_entrevista.Deve seguir rígidas normas de transcrição, não podendo ser manipulada textualmente. Deve possuir um título, seguido, como subtítulo, da expressão entrevista com (Nome do entrevistado), justificados, em caixa alta, fonte Times New Roman, 12, negrito. Deve conter breve apresentação do entrevistado e as circunstâncias da entrevista. Em sequência, seguem as perguntas em negrito e as respostas do entrevistado sem negritar.

4. Relato de experiência

A experiência, como nos ensina Jorge Larrosa Bondía (2002, p.25-26), constitui-se como “aquilo que ‘nos passa’, ou que nos toca, ou que nos acontece, e ao nos passar nos forma e nos transforma”. Assim, um acontecimento comum gera diferentes experiências, sendo estas singulares, únicas e irrepetíveis. O sujeito da experiência, aberto à própria transformação, expressa, em sua força, o saber  – distinto da informação  – e a práxis – distinta da técnica.  Esse saber emerge da tensão entre o conhecimento e a vida humana, sendo inseparável do indivíduo. Por isso, demanda um gesto de interrupção, um parar para pensar, para olhar, para escutar, para sentir, suspendendo o automatismo da ação, um cultivar da atenção para a arte do encontro. É nesse sentido que se propõe a escrita do relato de experiência para a edição desta revista. Deve abordar processos pedagógicos ou artísticos vivenciados no âmbito da educação em texto com até 10 páginas, podendo conter imagens e fotos (desde que autorizadas). O texto deve trazer as motivações e metodologias para as ações tomadas na situação e as considerações/impressões que a vivência trouxe àquele (a) que a viveu. O relato é feito de modo contextualizado, com objetividade e aporte teórico. Não se trata de uma narração emotiva e subjetiva, nem uma mera divagação pessoal e aleatória. O relato não deve ser apenas descritivo-narrativo, deve estabelecer ponderações e reflexões, embasadas na experiência relatada e no seu respectivo aparato teórico, de maneira a contribuir para outros pesquisadores da área, ampliando o efeito da sua experiência como potencial exemplo para outros estudos e vivências. O texto inclui uma introdução com marco teórico de referência para a experiência. A seguir, traz os objetivos da vivência e expõe as metodologias empregadas para realizar tal experiência, incluindo descrição do contexto e dos procedimentos. Após isso, apresentam-se os resultados observados e as considerações finais.  Os elementos constitutivos do relato de experiência são semelhantes aos do artigo.

Resumo: deverá abranger informações sobre o objeto do trabalho acadêmico, objetivos, metodologia, discussão, conclusões do trabalho, de forma dissertativa, em apenas um parágrafo.

Palavras-chave: Devem vir na linha imediatamente abaixo do resumo (3 a 5).

Abstract: resumo em inglês

Keywords: palavras-chave em inglês.

Introdução: apresentar problema, objetivos e justificativa, metodologia e referencial teórico.

Desenvolvimento: exposição ordenada e detalhada do assunto. Nele se inserirão: a metodologia – descrever onde, quando e como ocorreu a experiência, o contexto e os procedimentos utilizados; discussão – relatar a experiência, contextualizando-a com os achados na literatura sobre o tema; mostrar análise dos resultados obtidos, se for o caso. Podem-se usar recursos ilustrativos de figura ou tabela, acompanhados de análise indicando sua relevância, vantagens e possíveis limitações. A tabela ou figura (fotografia, gráfico, desenho) deve apresentar qualidade necessária para uma boa reprodução. Deve ser gravada(o) em formato word para possibilitar correções, caso necessário. Deve ser inserida(o) no texto e numerada(o) com algarismos arábicos.

Considerações finais: deverão ser considerados os objetivos explicitados e uma síntese dos resultados, evidenciar análise e discussão dos dados obtidos. Referências: deverão constar apenas autores e obras mencionados no texto, obedecendo-se às normas da ABNT.

5. Estudo de caso

O estudo de caso deverá seguir as normas para artigos.

6. Tradução

Em razão de um grande número de escritos referentes à Pedagogia Waldorf estarem em língua alemã, serão aceitos textos de tradução desta língua em razão de despertarem interesse à área educacional. A tradução não deve ter título específico e sua apresentação se dá pelo título do texto traduzido (*referência completa no rodapé), alinhado à esquerda, em caixa alta, fonte Times New Roman, 12, negrito, seguido pela expressão: Tradução por (nome do autor). Em rodapé, sinalizado com asterisco (*), faz-se breve descrição do currículo do autor tradutor (no máximo três linhas), com formação, filiação institucional e e-mail. Uma linha abaixo do nome do autor tradutor deve constar o texto da tradução e seguir as mesmas diretrizes para a apresentação de artigos.

 

[1] MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8.ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: Unesco, 2003.

[2] REPENSAR A EDUCAÇÃO: rumo a um bem comum mundial? Brasília: UNESCO Brasil, 2016. p.37-38.

[3] REPENSAR A EDUCAÇÃO: rumo a um bem comum mundial? Brasília: UNESCO Brasil, 2016. p.39.

[4] Tradução realizada pelo grupo de trabalho “Alemão Instrumental” do Laboratório de Geografia Urbana do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

[5] Fragmento extraído do Tiefurter Journal e escrito em 1783.